Tão tarde nos meus lábios
teus lábios, a saliva noite
Vencendo a gravidade da
ausência, no sentir
Te, eu o ser
A árvore amoreira na
janela de um olhar, tão frágil o sentido
O tocar, o sabor do
veneno, a viagem
Ao centro da terra
Tão tarde nos meus lábios
teus lábios, o fogo que gela
A mão do primeiro
arvorecer, talvez seja apenas
Uma vírgula, talvez seja
só
Só um poema em nome do
meu escrever, na aldeia
À lareia, e também ela,
perdida
Tão tarde nos meus lábios
teus lábios, a saliva noite
Vencendo a gravidade da
ausência, o grito, o escrito
Centeio na terra lavrada,
na sanzala de uma andorinha, e o balançar
Do capim, golpeando as
ardósias e as árvores, e as canções
No outro destino, eu o sentir
Te, em cada sombra da luz
virgem da lua
Tão tarde nos meus lábios
teus lábios, meu amor
O desejar, não o ter, nem
o sentir
O mar e as lágrimas de um
barco, um miúdo sobe os degraus
Desenhados pela noite,
dimensionados por um louco poeta, capaz
Cansado de estar, sentado
De o ser
Tão tarde, meu amor, nos
meus lábios teus lábios
O teu silêncio em flor
nos teus lábios a tarde tão, tão tarde, meu amor, nos meus lábios teus lábios
em dor.
22/07
21:30