22 julho 2026

O teu silêncio em flor

Tão tarde nos meus lábios teus lábios, a saliva noite

Vencendo a gravidade da ausência, no sentir

Te, eu o ser

A árvore amoreira na janela de um olhar, tão frágil o sentido

O tocar, o sabor do veneno, a viagem

Ao centro da terra

 

Tão tarde nos meus lábios teus lábios, o fogo que gela

A mão do primeiro arvorecer, talvez seja apenas

Uma vírgula, talvez seja só

Só um poema em nome do meu escrever, na aldeia

À lareia, e também ela, perdida

 

Tão tarde nos meus lábios teus lábios, a saliva noite

Vencendo a gravidade da ausência, o grito, o escrito

Centeio na terra lavrada, na sanzala de uma andorinha, e o balançar

Do capim, golpeando as ardósias e as árvores, e as canções

No outro destino, eu o sentir

Te, em cada sombra da luz virgem da lua

 

Tão tarde nos meus lábios teus lábios, meu amor

O desejar, não o ter, nem o sentir

O mar e as lágrimas de um barco, um miúdo sobe os degraus

Desenhados pela noite, dimensionados por um louco poeta, capaz

Cansado de estar, sentado

De o ser

Tão tarde, meu amor, nos meus lábios teus lábios

 

O teu silêncio em flor nos teus lábios a tarde tão, tão tarde, meu amor, nos meus lábios teus lábios em dor.

 

 

22/07
21:30