Minha doce, carcera seara
em silêncio
O oiro doiro dançando
sobre a barcaça, desalmada
Sobe o monte, a roupa
esfarrapada
Lança pedras desenhadas,
esconde na algibeira
As semente, rejeitadas
Despe as calças,
ensanguentadas
Vinga-se no primeiro
sorriso de luz, e quebra uma janela
Procura na gaveta, o
revolver em formato de caneta
Escolhe entre os papeis, a
melhor e a mais capaz, bala de cartão
Carrega o revolver, utilizando
apenas o olhar da mão
O revolver poema, o revolver
sermão
Depois desenha no peito a
cruz negra da saudade, fuma o último cigarro
Encosta o aparo da
caneta, à têmpora direita
Com o dedo esquecido do
cigarro gatilho
Puxa-o
E do outro lado do rio,
escuta-a
Ainda estou aqui.
22/07
22:51