22 julho 2026

Minha doce, carcera seara em silêncio

Minha doce, carcera seara em silêncio

O oiro doiro dançando sobre a barcaça, desalmada

Sobe o monte, a roupa esfarrapada

Lança pedras desenhadas, esconde na algibeira

As semente, rejeitadas

 

Despe as calças, ensanguentadas

Vinga-se no primeiro sorriso de luz, e quebra uma janela

Procura na gaveta, o revolver em formato de caneta

Escolhe entre os papeis, a melhor e a mais capaz, bala de cartão

Carrega o revolver, utilizando apenas o olhar da mão

O revolver poema, o revolver sermão

Depois desenha no peito a cruz negra da saudade, fuma o último cigarro

Encosta o aparo da caneta, à têmpora direita

Com o dedo esquecido do cigarro gatilho

Puxa-o

E do outro lado do rio, escuta-a

Ainda estou aqui.

 

22/07
22:51