22 julho 2026

Há quanto tempo Eu não sentia o rosto de uma espada

Há quanto tempo

Eu não sentia o rosto de uma espada

Na lâmina da minha mão,

 

São as pedras que me afligem

São as pedras silêncios

Janelas encostadas

São as pedras

Madrugadas

Sangrando a saliva seiva de um sonho,

 

E também cansadas estão as pedras

Da calçada noite descendo o rio

Sentir, ir

São as pedras estrelas em bruta alegria

Sentir, eu sentia

As pedras nas lágrimas vertidas

São as pedras as palavras e as algemas do anoitecer

São as pedras o húmus de um poema por escrever,

 

Há quanto tempo

Eu não sentia o rosto de uma espada

Na lâmina da minha mão,

 

São as pedras o olhar na sombra

De uma pomba

São as pedras, o esperma e a canção

E gentes de pouca gente, em pedra e de pedra

São as pedras as insígnias de uma ausência

São as pedras esperança, demência

Na pressa, na espera

São as pedras a doença

São as pedras as crianças, são as pedras

A semente que sente, recordações e lembranças,

 

Parte 2:

 

Depois do pequeno-almoço, do café e do cigarro, e de alimentar os peixes e antes do banho,

 

São as pedras as lágrimas de uma mãe

Quando perde um filho

Para as garras de outras pedras,

São as pedras também poesias

Rochedos e lamparinas, são as pedras o centeio

E

O pão, às vezes quase pedra, outras que nem pedra-pão

São as pedras o silêncio de um coração

São as pedras a dor e a solidão, entre as pedras

Lançadas pela mão,

 

Há quanto tempo

Eu não sentia o rosto de uma espada

Na lâmina da minha mão.

 

22/07
06:44