Metade de mim é o pincelar da última paragem do mar
A árvore que sobrou de mim, é a outra minha metade
Metade de mim é a chuva a acariciar o coqueiro
Depois, de mim sobrou a sombra, da penúltima metade
Metade de mim é a laranja, e da faca
Que podia ser a outra metade, de uma fotografia
Ou até da própria laranja, em gomos
Que muitas metades são um exército
Mas a outra metade
É metade de mim
Um tolo são duas metades de qualquer coisa
E eu que não sou tolo, de tão louco o ser
Tantas foram as metades que escondi
Que hoje
Metade de mim é o pincelar da última paragem do mar
Do sorriso em tantas metades, que até metade mete dó
Quando de uma só metade
Metade de mim é quase gelo, da última metade que sobrou
E da laranja
Tantas são as metades nos teus lábios, meu amor
07/04/2026, 22:30