07 abril 2026

Metade de mim é o pincelar da última paragem do mar

Metade de mim é o pincelar da última paragem do mar

A árvore que sobrou de mim, é a outra minha metade

Metade de mim é a chuva a acariciar o coqueiro

Depois, de mim sobrou a sombra, da penúltima metade

Metade de mim é a laranja, e da faca

Que podia ser a outra metade, de uma fotografia

Ou até da própria laranja, em gomos

Que muitas metades são um exército

Mas a outra metade

É metade de mim

Um tolo são duas metades de qualquer coisa

E eu que não sou tolo, de tão louco o ser

Tantas foram as metades que escondi

Que hoje

Metade de mim é o pincelar da última paragem do mar

Do sorriso em tantas metades, que até metade mete dó

Quando de uma só metade

Metade de mim é quase gelo, da última metade que sobrou

E da laranja

Tantas são as metades nos teus lábios, meu amor


07/04/2026, 22:30