24 março 2026

Samba para você

Samba para você, deusa da última figueira que ficou sentada no silêncio dos olhos do mar,

Se eu soubesse, a que horas é o pincelar da tua voz nos lábios do vento,

Eu abria a janela, chamava todos os barcos que ainda ontem eram a tarde no toque de uma fotografia,

E dizia a todos os pássaros e passageiros deste navio, que

Por um fio, o rio


Será o esconderijo do meu navio, naufragado

Samba para você, meu amor, que o sono é uma seara de desejo que não tem remetente, e ele sofre

E ele mente, e a chuva será a primavera

Da primeira pedra, lançada na flor do teu sexo

Semente, socalcos entre os teus seios,

Vértice do atlântico salgado, não

Ainda não terminou o circo


24/03/2026, 22:25