18 janeiro 2026

o quadrado

dentro do quadrado, morre a mosca

ao centro, ao centro do quadrado, eu pareço

uma louca abelha, sentado sobre o mel da última noite adormecida,

eu até que queria pertencer ao jardim de uma lágrima

ou até que eu queria ser, sem o saber

a lápide de um sonho

 

mas eu apenas sou um sentado, sobre o mel azul de uma amêndoa

que eu até queria pertencer, e de não o ser a sombra de um quadrado,

dentro do quadrado, morre a mosca

a companheira de viagem, morre

a abelha sabendo que há uma árvore

nua e despedida, despida

na sanzala da verdade

 

dentro do quadrado, morre a mosca

morre também o sentado, o mel se evapora

e lá fora, na parte exterior do quadrado, uma vírgula

chora, que sente o frio da existência

que traz na mão desenhado o vento, que não

sente o tempo, e deixa adormecer o espaço, na terra semeada

e dentro do quadrado, também sentado;

o meu cansaço.

 

18/01/2026, 02:26

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