18 janeiro 2026

no delírio de uma laranja

será o corpo, o abismo

o sismo dos seios, o rio que os apelidam

a maré de incenso, e eu que o penso

avançar contra o silêncio, e romper a multidão

será o corpo, o abismo

a mão que escreve em outro corpo, e que envelhece

porque também o esquece,

e que se aquece,

 

no delírio de uma janela.

 

voar, nos braços de uma abelha, a palavra entreabra-a na falésia quase séria, a miséria do artista

até à escada que dá acesso ao livre pensamento, tão perto

o sismo dos seios, a terra ainda não lavrada, pouca até ontem

a semente disfarçada de palhaço, o oiro

e a amêndoa de uma lágrima,

 

no delírio de uma porta.

 

será o corpo, o abismo

o livro servido em pequenas fatias, as grades de luz, que dispensam as ondas de uma distância, tão perto como a morte

sem a sorte,

porque o barco fundeou na sombra de um cais, em longas teias-de-aranha, sabia-a

e ele, o diria

porque dizem, porque o pensam

 

no delírio de uma laranja.

 

18/01/2026, 21:06

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