será o corpo, o abismo
o sismo dos seios, o rio
que os apelidam
a maré de incenso, e eu
que o penso
avançar contra o
silêncio, e romper a multidão
será o corpo, o abismo
a mão que escreve em
outro corpo, e que envelhece
porque também o esquece,
e que se aquece,
no delírio de uma janela.
voar, nos braços de uma
abelha, a palavra entreabra-a na falésia quase séria, a miséria do artista
até à escada que dá
acesso ao livre pensamento, tão perto
o sismo dos seios, a
terra ainda não lavrada, pouca até ontem
a semente disfarçada de
palhaço, o oiro
e a amêndoa de uma
lágrima,
no delírio de uma porta.
será o corpo, o abismo
o livro servido em
pequenas fatias, as grades de luz, que dispensam as ondas de uma distância, tão
perto como a morte
sem a sorte,
porque o barco fundeou na
sombra de um cais, em longas teias-de-aranha, sabia-a
e ele, o diria
porque dizem, porque o
pensam
no delírio de uma
laranja.
18/01/2026, 21:06
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