se este rio arder, se este rio morrer
e se este rio, se este
rio de sofrer
amanhã,
ser,
ser só, só um rio em nada
ter.
se este rio, me pertencer
do infinito amargo, a
espada que se crava no peito, em lágrima
este rio cansado, e que
nunca encontra o mar
de que me serve, este
rio, se este rio é o não sonhar
e se este rio, só, é um
rio sem luar.
se este rio arder, se
este rio deixar de sofrer
se este rio, um dia, em
mim adormecer
e que nunca mais seja só,
só um rio de fingir
ou até, quem sabe, um rio
a arder
da vontade de partir.
se este rio, se este rio
não fosse o frio
e a gélida lareira, e se
este rio deixar de viver, que este rio
seja um dia, ao outro
dia, seja um dia um rio de chover
nas mãos manchadas de
poesia,
que este rio, seja um rio
de brincar
de muitos rios em
criança, se este rio, um dia, arder
e se todos os rios o
sejam, sós, cada só um rio de escrever
mais profundo do que a
luz de um amanhecer, o ser
um rio, um rio tão
infinito, como o infinito
em te querer.
19/01/2026, 05:04
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