19 janeiro 2026

este rio

se este rio arder, se este rio morrer

e se este rio, se este rio de sofrer

amanhã,

ser,

ser só, só um rio em nada ter.

 

se este rio, me pertencer

do infinito amargo, a espada que se crava no peito, em lágrima

este rio cansado, e que nunca encontra o mar

de que me serve, este rio, se este rio é o não sonhar

e se este rio, só, é um rio sem luar.

 

se este rio arder, se este rio deixar de sofrer

se este rio, um dia, em mim adormecer

e que nunca mais seja só, só um rio de fingir

ou até, quem sabe, um rio a arder

da vontade de partir.

 

se este rio, se este rio não fosse o frio

e a gélida lareira, e se este rio deixar de viver, que este rio

seja um dia, ao outro dia, seja um dia um rio de chover

nas mãos manchadas de poesia,

que este rio, seja um rio de brincar

 

de muitos rios em criança, se este rio, um dia, arder

e se todos os rios o sejam, sós, cada só um rio de escrever

mais profundo do que a luz de um amanhecer, o ser

um rio, um rio tão infinito, como o infinito

em te querer.

 

19/01/2026, 05:04

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