19 janeiro 2026

calçada

calçada, pedra lançada

cabeça partida, perna engessada

calçada, ao fundo o rio

que às vezes, em tantas vezes, tremia de frio

como uma árvore em cio

ou um passarinho, sem pio

deitado no ninho

ao pescoço prendia-o à vida, um fio

 

quatro ovos de dinossauro, um quadro em restauro

e a calçada era marota, quase tão garota

como a sombra da manhã, sentada

mais parecendo a serpente na mão do duende

que de tão frio estar o rio, e de tão alegre estar a madrugada

que a calçada, mesmo sem ter nada, procurava ela, também

o rio, ao fundo sem pio

o coitadinho, no ninho, do pobre do passarinho.

 

19/01/2026, 22:06

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