uma coisa estranha, que
se entranha
na escuridão miúda de uma
lareira em chama
a ponte que é quase o
esqueleto de uma amêndoa colorida
na boca da serpente, que
arde, e que sente o desfalecer da vida
em cada milímetro que
rasteja, que se senta, e que se ajoelha
sempre que cai do céu uma
estrela, sempre que uma abelha
almeja, e também que
rasteja
e também que se aleija
na sombra do distante
luar
uma coisa estranha, que
se entranha
e que tem medo, medo de
amar
medo de sofrer a cada
círculo lunar
e tão estranha, esta
coisa de sonhar e que apanha
o vento disfarçado de outro
mar.
20/01/2026, 19:02
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