20 janeiro 2026

uma coisa estranha, que se entranha

uma coisa estranha, que se entranha

na escuridão miúda de uma lareira em chama

a ponte que é quase o esqueleto de uma amêndoa colorida

na boca da serpente, que arde, e que sente o desfalecer da vida

 

em cada milímetro que rasteja, que se senta, e que se ajoelha

sempre que cai do céu uma estrela, sempre que uma abelha

almeja, e também que rasteja

e também que se aleija

 

na sombra do distante luar

uma coisa estranha, que se entranha

e que tem medo, medo de amar

 

medo de sofrer a cada círculo lunar

e tão estranha, esta coisa de sonhar e que apanha

o vento disfarçado de outro mar.

 

20/01/2026, 19:02

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