14 janeiro 2026

esquina de luz

a gula esfomeada de uma esquina de luz, de uma esquina

que foi pensada, que foi desenhada e também cansada

para ser apenas uma esquina de luz, e da luz mais nada

 

nem uma sebenta amarrotada

nem água chocada, e tão pouco pirilampo mágico

que de magia em magia, sentia

o frio escuro de uma aldeia

 

que vomitava fogo quando acordava, que albergava

sobre os ombros, sobre a lâmina de barbear, o silêncio de uma espada,

na algibeira, de uma outra e triste, esquina de luz,

 

só e abandonada.

 

a gula esfomeada de uma esquina de luz, de uma esquina

que foi pensada, que foi desenhada

para ser apenas uma esquina de luz, e da luz mais nada

 

mais, do que uma alma penada,

porque uma esquina de luz, nunca

 

nunca será a madrugada.

 

14/01/2026, 21:31

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