Espero pelo regresso da
chuva, que traga a mim o vértice
E o círculo lunar de uma
pedra em fúria
Que foi lançada ao vento,
do vento migalha
Que desce e que sobe, e
que se esconde
No vão de uma escada
Que a árvore me sustenta,
onde durmo, e onde pertenço
E de onde oiço
As palavras semeadas na
voz distorcida
De uma montanha abandonada,
só
Tão só como é a despedida
Do meu corpo, da mão com
que afago o silêncio
De uma vidraça, sem
tempo, sem
Estrelas que iluminem as
páginas de um livro, que enlouquecen
E que se vestem
Ao nascer do dia
Que tudo é tão belo, que
tudo é poesia
E depois a noite se
despede também, e que do meu corpo
Vaiado pelo olhar da
serpente, eu grito
E eu assisto
À derrocada de uma
calçada
Uma calçada que ontem era
a espada enterrada na terra
Que tinha tudo, e que
hoje não tem nada
E da chuva que me veste
também, recebo a charrua
E a sílaba de uma aurora
boreal, quase migalha
Sobre a mesa da morte.
15/01/2026, 05:31

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