04 janeiro 2026

A fogueira

A fogueira, será minha, será

Que incendeia que mentira e atira

Centeio e cereais, sábado, ao som de um sino

Dentro do cubo secreto da abóbada dos seios de uma légua

Dentada, ausente, a migalha,

Sobre a mesa, sobre a toalha, sobre a minha pele,

Debaixo da água, sentindo, e minto e dizendo

Que o frio, que o vento

É mais lento, e menos frio, do que qualquer alimento,

Ou de que qualquer dor.

 

E que cada mim, é um rio, quase morto, quase jeito, numa tela em silêncio,

No centro, no vértice, a camada fina de uma sombra, sabia, não

E subo ao céu, e de lá trago a solidão de uma pedra, que sentada

E desperta, o alegre vício de ler, às duas e às três manhãs ensonadas, a outra

Cansado e doente, não

Dizer ao vento,

Que cada assento, é uma vírgula desmiolada, e doida

Correndo na praia de uma página, na mão de uma criança

Que lança ao vento, e atira contra a chuva,

O seu último sorriso.

 

04/01/2026, 21:00