A fogueira, será minha, será
Que incendeia que mentira
e atira
Centeio e cereais,
sábado, ao som de um sino
Dentro do cubo secreto da
abóbada dos seios de uma légua
Dentada, ausente, a
migalha,
Sobre a mesa, sobre a
toalha, sobre a minha pele,
Debaixo da água, sentindo,
e minto e dizendo
Que o frio, que o vento
É mais lento, e menos
frio, do que qualquer alimento,
Ou de que qualquer dor.
E que cada mim, é um rio,
quase morto, quase jeito, numa tela em silêncio,
No centro, no vértice, a
camada fina de uma sombra, sabia, não
E subo ao céu, e de lá
trago a solidão de uma pedra, que sentada
E desperta, o alegre
vício de ler, às duas e às três manhãs ensonadas, a outra
Cansado e doente, não
Dizer ao vento,
Que cada assento, é uma
vírgula desmiolada, e doida
Correndo na praia de uma
página, na mão de uma criança
Que lança ao vento, e
atira contra a chuva,
O seu último sorriso.
04/01/2026, 21:00
