04 janeiro 2026

Uma pomba

Do outro lado, em mim de cima

Uma pomba é o meu enforcar

E me assassina

Quando no corpo acorda o Janeiro luar

 

Quando o corpo é tão longe, do distante

Da ninha sina, que me afoguenta,

Que cada palavra que escrevo, é um diamante

Que corta e que rasga e que enfrenta

 

A tempestade de um beijo, que foge, e que é estrume

À terra e ao de também tão longe, e de pertinho

O lume,

 

O fogo de uma bandeira, o tecto de uma aldeia

Que inscreve na geada a abelha em linho

E que em mim se incendeia.

 

04/01/2026, 20:20



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