sábado, 8 de dezembro de 2012

ela a lápide da amizade


um corpo de espuma cinzenta
flutua nos lençóis da morte
vagarosamente há nas paredes do desejo
o silêncio travestido de flor selvagem
há um porto de embarque à tua espera
com ondas de sabão
e risos poucos alguns suspiros de adormecida névoa
um corpo meu cinzenta da noite áspera cansada maré dos sonhos,

há mamas de nevoeiro disfarçadas de poesia
corpos
montes de lixos e massa óssea à mistura
álcool e sopa de pregos mergulhados no aço da fome
um corpo de homem
de espuma cinzenta
as cintilações do clitóris volátil que o desejo constrói nas paredes de cartolina
ela a lápide da amizade,

há na tua janela a palavra saudade
pigmentada entre os perfumes complexos das coxas da morte
o fumo do teu cigarro depois do suicídio
junto ao rio aos barcos de madeira apodrecida
cinzenta maré ácida amarga toda a merda prometida
há um corpo com asas
e dentes de marfim a voarem sobre as casas desabitadas,

há mamas braços pernas cus abraços
na minha cama
há o meu corpo putrefacto em espuma cinzenta
confiscado pelos anzóis do destino
há uma esplanada com cinzeiros de prata
há mamas braços pernas cus abraços
na minha cama de luz o caixão de espuma cinzenta...

(poema não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

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