07 outubro 2026

Quem disse

Quem disse que a chuva era fria,

Quem disse que a poesia 

Era luz e alegria,

Quem disse que o vento 

Que o vento corria,

E que também sofria 

Com as destrezas do dia,

Quem disse um dia 

Que os teus olhos eram o mar 

E que os teus lábios o mel, que 

Que quem o disse, 

Só louco poderá estar,

Porque os teus olhos,

Porque os teus lábios,

Apenas, são;

Lábios, olhos,

E não são o mar,

Tão pouco, o mel.


07/10

15:11

Sonhos.

Desfeitos, quando não consegues cumprir o acordo financeiro com a universidade, e daqui a umas horas já é outro dia, e percebes que de nada valeu as últimas noites perdidas.

Sonhos,

Talvez o meu único sonho possível, seja estar, vivo.

Para quem nasceu com trinta dias de validade, já não é mau, estar vivo.

 

07/10

A espada e o vento

Serei a espada 

E o vento 

Na mão da serpente,

Serei o chover 

Em teus seios sós na madrugada,

Serei a lágrima vertida 

E chorada,

Serei o teu nome 

Na tua cama despida, e cansada,

Serei,

Serei o teu sonhar 

Quando a noite é o mar.


07/10

12:19

A canção da tua mão

Sentir a tua mão

é quase o delírio ausente

na canção da tua mão,

sentir,

o teu dedo, quase luz veneno

que é também

a estrela de uma noite que acordará

nos teus lábios,

e permanecerá

eternamente,

nos teus seios.

 

Sentir a tua mão em mim

de coitado que me sinto,

sentado, triste,

sentir,

o verniz do amanhecer

sobreposto na fogueira

do teu olhar,

que sentir,

a tua mão é quase,

o delírio ausente da tua boca,

na minha boca,

o sentir,

e o te amar.

 

07/10
11:35

Esse olhar

Eu não sei como se chamava esse vento que partiu para o nada e que era quase orvalho quando o fogo tinha uma fotografia na cabeça que não era o triângulo do mar, não era a noite que sonhou com o esqueleto da chuva nem a maré ausente do meu sofrimento.

Eu não sei de que era feito esse vento que partiu para o nada e que foi gente tanta gente, não sabendo que o vento estava no silêncio frio do dia e que não havia nada dentro do livro do amanhecer. Eu não sei,
E nunca o saberei, a quem pertence asse olhar.

07/10
02:26

06 outubro 2026

A vertigem amorfa de um grão de arroz

Cada quadricula do meu sorrir é o intervalo de tempo de, (t) inicial e igual a mil estrelas sem luz até (t) igual, à vertigem amorfa de um grão de arroz.

 

Cada quadricula do meu sorrir é o alicerce que vence a gravidade, que dispõe de água sideral e salgada, na veia principal da morada.

 

A rua despede-se dele, de mim, quando se confundem, ele e eu, na madrugada sangrenta, vertiginosa de um gomo de laranja em livre queda, às vezes

Distante do almoço.

 

Cada quadricula do meu sorrir que se verte no abismo útil de pertencer ao décimo quinto desterro de viver, saber que nada mais poderá vencer, o dispor agora de uma máquina para viajar no tempo, e retirar ao tempo, dez elevado a seis, janelas, quebradas, no recreio da escola.

 

Cada quadricula era uma flor, e hoje, não passam de quadriculas, invertidas e envergonhadas, que cada delta (X) ou delta (Y) no silêncio do tempo, são só e só, letras desgovernadas, na mão de uma colmeia, de uma aurora boreal tão linda como o mel.

 

06/10
20:16

Solidão

Povoou as veias com potássio encarnado, mais não sabia que escolher na deriva da cansada estrada, a pedra simples, tão simples, como a pedra arremessada pela chuva quando do tecto da solidão, a palavra semeia na enxada da vida, a vida,

A vida de uma ferrugenta bicicleta, que foi em tempos, enxada e caneta, e que hoje,

E que hoje é apenas sucata.

 

E de todos os barcos que lhe correram nas veias, de uma só vez, eram tantos, tantos os porquês, que

Que se desfez, que se espatifou contra o muro, da separação, entre o dia, e o vértice cansado da lareira.

 

Havia sol de então porque hoje não faz destino, olhar o sol, este sol contrafeito, e vendido ao deus, dará as pedras a quem as árvores acolher, em casa, na ânsia, sempre, que o potássio semeado, nas veias, um dia,

Seja o mel dos teus lábios,

E não mais poesia.

 

06/10
13:39