06 outubro 2026

Solidão

Povoou as veias com potássio encarnado, mais não sabia que escolher na deriva da cansada estrada, a pedra simples, tão simples, como a pedra arremessada pela chuva quando do tecto da solidão, a palavra semeia na enxada da vida, a vida,

A vida de uma ferrugenta bicicleta, que foi em tempos, enxada e caneta, e que hoje,

E que hoje é apenas sucata.

 

E de todos os barcos que lhe correram nas veias, de uma só vez, eram tantos, tantos os porquês, que

Que se desfez, que se espatifou contra o muro, da separação, entre o dia, e o vértice cansado da lareira.

 

Havia sol de então porque hoje não faz destino, olhar o sol, este sol contrafeito, e vendido ao deus, dará as pedras a quem as árvores acolher, em casa, na ânsia, sempre, que o potássio semeado, nas veias, um dia,

Seja o mel dos teus lábios,

E não mais poesia.

 

06/10
13:39