27 setembro 2026
26 setembro 2026
O que fazer...
O que fazer com as palavras que o vento me traz,
o que semear na esquina de uma mágoa,
o que fazer com o mar, que
até esse,
não é mais o meu mar.
O que fazer
a este viver,
que não é mais o viver,
o que fazer
quando tudo está a arder...
26/09
23:03
Só
Não estar só é acreditar
que dentro de mim
mil estrelas se escondem,
e comigo
conversam, não estar só,
estando só.
tão, só.
26/09
21:47
A porta do mar
Levantei do chão a porta do mar, abri-a e
Devagarinho, entrei
No coração do mar.
São searas de poesia, no silêncio
Amar, que andam sonhos à minha procura
Sem ventos, nem jangadas do sofrer nem
Com lágrimas de chorar.
26/09
15:49
25 setembro 2026
A sombra do rosto
A espuma sincera da
lâmina
que golpeia a sombra do
rosto,
que temido é o espelho,
entre manhãs de silêncio mergulhado
e infeliz, no fumo áspero
da mão
e a matriz cinzenta de um
olhar.
O sangre sangra o rosto,
na pedra
que sobejou do jantar de
ontem,
ontem, depois do sol, a
catedral
quase musgo
na luz do primeiro,
o beijo.
E despede-se, lentamente
a espuma, do rosto, que
apenas, e só
existe no espelho.
E a cada pêlo serrado, o
rosto emagrece, e se esconde
na
na espuma.
25/09
23:20
O teu amor
O teu amor é um insecto
que me vê como uma palavra
Luz meu deus, que te amo
mais do que amo o silêncio
Muito mais do que amo a
alvorada
O teu amor está
envergonhado de uísque
Parece uma esponja
Uma espingarda de sono.
O teu amor não me apetece
Finge que alguém esqueceu
a minha mão sobre o mar
E eu sou uma enguia
Um chalupa peixe com
dentes de nojo
Em perfeito estado de
mim, ergo-me até o amanhã ser de um outro mundo
O teu amor é
Homem que procura homem
À beira da paixão.
(in, o farol – livro de
poemas de Francisco Luís Fontinha)