O teu amor é um insecto
que me vê como uma palavra
Luz meu deus, que te amo
mais do que amo o silêncio
Muito mais do que amo a
alvorada
O teu amor está
envergonhado de uísque
Parece uma esponja
Uma espingarda de sono.
O teu amor não me apetece
Finge que alguém esqueceu
a minha mão sobre o mar
E eu sou uma enguia
Um chalupa peixe com
dentes de nojo
Em perfeito estado de
mim, ergo-me até o amanhã ser de um outro mundo
O teu amor é
Homem que procura homem
À beira da paixão.
(in, o farol – livro de
poemas de Francisco Luís Fontinha)