30 junho 2026

A última esfera da galáxia

Restava a última esfera da galáxia

Lá dentro o código mortal

Em verso

Ele hesita

Abro a esfera

Não abro a esfera,


PUM.


30/06
00:59

29 junho 2026

É tempo de o tempo se enforcar

É tempo de o tempo se enforcar

Pronto

Ficamos sem tempo

Parados no suicidado tempo

 

É tempo de o tempo ser vento e lezíria

É tempo de o tempo ser nuvem ardente

Cinzenta

Fogo

 

Sanzala desarrumada

Capota de capoeira

É tempo de o tempo ser

Olha – ser uma espetada, mista

 

Cubata e prata, e alicate de corte

Digam ao tempo para se matar, e deixar

Parado o tempo

Porque para olhar o mar não preciso de tempo

 

Nem de relógio a apitar

É tempo de o tempo zarpar

Ir

Ir e nunca mais voltar, a este mar.

 

29/06
22:11

A quadrilha em quatro navios ausentes

A quadrilha em quatro navios ausentes

Fardados a rigor, de braço dado

Dado enquanto há tesão e um pouco de licor

Montes

Vales clandestinos, e outros quantos navios

Ausentes, meninos

Em flor

À janela do abismo

 

A lâmpada se acende por ela

Que é tão mandada, tão ranhosa

Que mal sente a minha presença

Zás

Se acende a lâmpada

A lâmpada zás

Traz

Zás

 

Vírgula, a quadrilha toda à casa de banho, em fio

Sentindo o sentido, se erguendo na teimosia de uma retrete turca

De

Ser

O

Gato preto, o meu falecido negrito

Foi ele, foi ele

Desde então têm sido só azares

 

Só não morri quando me caiu o OVNI em cima

Porque

Porque tenho sete vidas e estava sentado, ora

O OVNI aterrou mesmo tão pertinho de mim, que

Sendo eu a origem do sistema de eixos cartesianos, o

O OVNI ficou de mim, X=0, Y=-0,001, Z=-0,01, em milímetros, Claro

E se isto é claro, clara era a noite, da Clara

 

A quadrilha em quatro navios ausentes

Fardados a rigor, de braço dado

Dado enquanto há tesão e um pouco de licor

Montes

Aos montes e montes

A alvenaria do destino

E se isto é claro, clara era a noite, da Clara

Outro tiro; água.

 

29/06
22:00

Uma vírgula em paixão

Uma vírgula em paixão

Avassalou o destino

O destino da mão

Ser mão e ser menino

 

Mas a vírgula não queria ser a paixão

Ela apenas queria voar na dor

Sem coração

E sem amor

 

29/06
21:35

Viver entre pinhais E dunas,

Viver entre pinhais

E dunas,

Entre pedras mortas

E riachos sem rumo,

 

Viver no canto do mundo

E saber que do outro lado do rio

Há outro viver

E outro novo mundo,

 

Saber viver entre os pinhais

E de outro rio a correr

Viver entre os pinhais

E dunas.

 

29/06
01:09

28 junho 2026

Mil anos-luz me separam, da luz

Mil anos-luz me separam, da luz

Das mil pedras lançadas, apenas uma tocou o meu corpo

Mil balas contra o meu peito, foram disparadas

E nem uma bala, no meu peito foi encontrada

 

Mil anos-luz me separam, da luz

Das mil e uma janelas apenas uma se abriu, estava sol

E mil estrelas começaram a dormir

E mil sonhos sonharam as mil estrelas que foram dormir.

 

28/06
21:57

Ao som do adeus, ao som do destro silêncio

Ao som do adeus, ao som do destro silêncio

Entre os parêntesis da sombra-luz

Na última carruagem da vida

À janela coloco as mãos, o cortinado tapa o meu rosto

 

As casinhas que não as vejo, mas sinto-as

Estão cada vez mais longínquas e famintas

O comboio começa a caminhar, sinto-o

Oiço o ruído dos carris

 

E também sinto o cheiro do mar

Ao som do adeus, ao som do destro silêncio

Do meu alegre vaguear

O meu olhar

 

Me recorda a melodia do dia antes de acordar

E o adeus, é deus, é o azedume de uma esquina de luz

Escura, negra

A pedra lançada do outro lado da rua

 

Ao som do adeus, a minha vida por um fio, o limbo

Quando o capim é gente

Gente alegre gente contente

Ao som do adeus, a despedida do meu corpo ausente.

 

28/06
21:50