28 junho 2026

Ao som do adeus, ao som do destro silêncio

Ao som do adeus, ao som do destro silêncio

Entre os parêntesis da sombra-luz

Na última carruagem da vida

À janela coloco as mãos, o cortinado tapa o meu rosto

 

As casinhas que não as vejo, mas sinto-as

Estão cada vez mais longínquas e famintas

O comboio começa a caminhar, sinto-o

Oiço o ruído dos carris

 

E também sinto o cheiro do mar

Ao som do adeus, ao som do destro silêncio

Do meu alegre vaguear

O meu olhar

 

Me recorda a melodia do dia antes de acordar

E o adeus, é deus, é o azedume de uma esquina de luz

Escura, negra

A pedra lançada do outro lado da rua

 

Ao som do adeus, a minha vida por um fio, o limbo

Quando o capim é gente

Gente alegre gente contente

Ao som do adeus, a despedida do meu corpo ausente.

 

28/06
21:50