25 junho 2026

Há nos teus seios um rio em sofrimento

Há nos teus seios um rio em sofrimento

No mar arriba que aos teus olhos vão pertencer

No mar que corre no teu ventre

Me deito sobre o teu peito

E oiço a voz do teu sexo

 

No lento vento de assobiar

Há nos teus seios um rio em sofrimento

Tão revolto e tão só

Que às vezes parece a luz

Poisada no prisma dos teus lábios

 

Há nos teus seios um sofrimento em rio

Ao mar o deseja e a ele pertence

O sabre desvairado na loucura que vence

O rio em sofrimento

Que beija os teus seios

 

25/06
08:10

era dia, seria noite

era dia, seria noite

noite dia

seria,

 

era dia, noite seria

seria dia, seria poesia

noite quase dia,

 

dia, era e seria quase dia

noite que me diria

que da noite quase dia

brevemente será dia,

 

era dia, seria noite

noite dia

seria,

 

quase dia, esta noite dia.

 

25/06
05:47

Na rua cinzenta

Na rua cinzenta

Era pimenta

Sabia que a lua tinha espigas de trigo

Que quando abria a janela

Uma pedra entrava

Uma pedra lhe batia

 

E do rosto ele sangrava

A cada lágrima do rio vertida

E o povo o apedrejava

Porque na rua cinzenta

Numa pequenina casa

Lá ele morava

E era pimenta

 

A jangada de vidro que o rio atravessava

Na rua cinzenta

Era pimenta

O rio que ele amava

 

25/06
03:52

Da sanzala do adeus

Da sanzala do adeus, eu trouxe o adeus

Que o adeus deus seja o meu trazer

Que ao final da tarde o capim seja o adeus

No adeus do meu viver

 

Arde a sanzala e nem uma cubata na minha mão

Será o mabeco o mistério e a falsidade

Que habita no meu coração

Que da sanzala do adeus deus é a verdade

 

Sentida e escrita

No húmus destino

De um corpo que levita

 

De uma sanzala em adeus que o seja sanzala prometida

À criança e ao menino

E ao segredo da vida.

 

25/06
03:42

24 junho 2026

Do mar ao vento

Do mar ao vento 

Lento o vento em seu lugar 

Vento sem tempo 

Do Tejo e de outro mar 


Do vento e do alento 

Que o vento de outro lugar 

Não é o vento lento 

Nem é o vento de amar 


Do mar ao lento 

O vento em seu acordar 

Do vento ao mar do mar sem tempo 

Quando o fogo é o vento e é o mar 


24/06

23:04

Na tua pele corre uma ribeira desalmada

Na tua pele corre uma ribeira desalmada

Da mão tua em punho a espada

Da tua pele a estrela solar

Das minhas palavras e do meu sonhar

 

Na tua pele corre uma ribeira sem fim

À procura do mar ou à procura de um jardim

Tantas são as flores da luz semeada em mim

Em mim sabendo que a luz é assim

 

Que a luz me vai envenenar

Entre as montanhas do viver e o medo do luar

Na tua pele corre uma ribeira desalmada

No silêncio da minha triste madrugada

 

24/06
22:07

O alegre ser, nunca o sendo Ser

O ser o dia nunca o sendo nem o sentindo, poesia

Erva bravia, vaca louca, romaria

Montanha apache e distante da loucura

Que se dispa, que se foda

A árvore e os frutos da árvore

A abelha que pica e que pica, e que alérgico eu o sou

Tão alérgico, que incho, e que me empolgo

Subindo, subindo

Me fodendo, me fodendo

 

Me erguendo, levando não levando ou até

As dúzias campânulas da sorte, as argolas

As cordas

As balas

E as facas

E

Ser o dia nunca o sendo, sabendo

O alegre ser, nunca o sendo

Ser

 

24/06
21:31