Um não
Tão
Que são
E não
Senão
A mão
Tão
Não
São
O pão
A mão
O não
O pão
O coração
Crucificação
Não
Então?
10/06
Navego, e tenho
E sinto e trago na mão
O lenho
Do meu defeituoso coração
Se este barco soubesse,
para onde caminhar
Se este barco soubesse
sair da tempestade
Se este barco começasse a
andar
No meio da cidade
Navego e tenho e não sei
A que mar pertenci
Porque o mar que eu
sonhei
Não é mais o mar
É apenas uma fotografia
que eu esqueci
De quando eu ainda sabia sonhar.
10/06
19:20
A sensação de estar morto, te olhando
Vulgarmente sentindo o meu sofrendo, te olhando
E eu pertencia à esfinge do mar
E que hoje não tenho nem o mar
Muito menos te olhando, mas a noite que voou desenhar na cabeça da chuva
Pertence ao tic-tac do relógio que também morreu
E que hoje é o dia disfarçado de céu
E que hoje é quase gelo na minha cama
10/06
17:26
Há dentro e no cento de
mim que sentado me sinto, cansado
Uma pedra pincelada com
as amoreiras do amanhecer, o ter
E o ser, há dentro e no
centro de mim sentado me sinto, sentado
Junto ao rio e distante
do rio
Há dentro de mim, um
pequeno cordel, um fio
Descendo até à lavrada
terra e semeada terra e escrita terra
Na enxada e na mão de uma
outra pedra
Sentada, lançada, às
feras da noite
Há dentro de mim e no
cento de mim, há uma pedra
Sem nome, sem nome nem
terra
Na terra disfarçada de
terra
Na terra do nada
Que nunca pertenci e que
não pertenço a esta terra, há
No centro de mim e no
distante de mim
A terra e o olhar da
terra
Na tão distante terra
sagrada
10/06
12:43
O orgasmo sentido,
sentindo o olhar
O olhar temido
O olhar sentido
Sentindo o orgasmo do mar
O orgasmo sentindo,
sentido na espuma do olhar
Mas esse olhar, e esse
orgasmo, sentido e sentindo
O ódio em vez do amar
E do sentido sentindo o
teu olhar na espuma do mar
10/06
10:52