tudo está mais caro, o
tomate está mais caro do que a gasolina,
vendo os meus
qualquer coisa o sono me
diria, se eu tivesse sono
que enquanto eu dormia, a
terra rodava
e sentia
o cheiro do dia
que enquanto eu dormia,
eu sonhava
e queria
ser poeta, ser criança
e dizer que também eu
sabia
que um dia, se tivesse
sono
eu escutava
e depois escrevia
o poema, e toda a poesia
05/04/2026, 02:04
É a melodia da morte que traz o dia, o evangelho sagrado
A árvore na lápide flor
De um guarda-chuva acorrentado ao destino
Ser poesia, e o beijar
Da bruma tela que também era o soldado, que ainda não terminou o circo
No fogo da mão
Em fuga, na vida em contramão que o sono esconde
E que finge
Ruas desertas, ruas miséria
Sempre que um poeta
Sofre
E chora
Que já não há cupidos, agora existem drones
Qualquer dia as sanitas são as palavras, e Deus
O triângulo das bermudas, o meu cacilheiro
Se esconde
E se adormecer
É a melodia da morte que traz o dia
04/04/2026, 21:35
meu lírio do sul, louca
minha flor
meu sol, diurno, nocturno,
minha estrela brilhante
de muita cor
e de diamante
meu abraço dos teus
braços em tuas mãos de porcelana
quando o dia é um rio
desgovernado
como o silêncio de uma
cama
como a alma de um
abastecedor cansado
meu luar
meu amor feliz poesia
meu mar
e minha vontade de sonhar
que um qualquer dia
eu vou ter a luz do teu
olhar.
04/04/2026, 18:43
se a tua voz me dissesse
alguma coisa
se a tua voz deixasse de
ser o mel, e começasse a ser
a abelha, vestida de luz
endiabrada como o
silêncio dos teus lábios
se a tua voz escrevesse o
meu nome na seara
trôpega como o vento que
dança
e que balança
como um sem-fim
nos meus braços, o teu
corpo
quase espuma, quase a
melancolia
de um poema, ao final do
dia
sem que te soubesses que
fui eu a escrevê-lo
ou à janela, o universo
pincelado de beijos
o céu a nossa cama
que te toco
e acaricio-te como se
fosses um débil flor, que a és
04/04/2026, 11:54