se a tua voz me dissesse
alguma coisa
se a tua voz deixasse de
ser o mel, e começasse a ser
a abelha, vestida de luz
endiabrada como o
silêncio dos teus lábios
se a tua voz escrevesse o
meu nome na seara
trôpega como o vento que
dança
e que balança
como um sem-fim
nos meus braços, o teu
corpo
quase espuma, quase a
melancolia
de um poema, ao final do
dia
sem que te soubesses que
fui eu a escrevê-lo
ou à janela, o universo
pincelado de beijos
o céu a nossa cama
que te toco
e acaricio-te como se
fosses um débil flor, que a és
04/04/2026, 11:54