08 fevereiro 2026

 

Estão Seguros?

Porreiro pá.

o meu corpo

é tanto o cansaço, meu amor

este cansaço de pertencer ao destino, também ele

cansado, cansado de viver

mas eu não estou cansado, cansado

 

de viver

eu estou cansado de sofrer, e de não ter

e ter, apenas te ter

e ser

 

que é tanto o cansaço, este cansaço de ver

o silêncio da tua voz, e de escutar dos teus lábios

o sorriso do teu olhar, que

estou, que estou tão cansado, cansado de lutar

 

tão cansado, meu amor

que é tanto o cansaço, o cansaço do meu corpo quase água

quase lama, quase esperma

sobre a cama, na cama, o meu corpo

 

08/02/2026, 20:05


 

a tela cor do meu jardim

é a flor mais bela, na tela cor do meu jardim

é a flor mais bela, que é tão bela e em papel estrelar

quando um ponto de luz se ergue no olhar

que é a flor, mais bela e tão bela, que saltita

entre os pingos da chuva, e no sorriso

transporta a luz

a luz que levita, e que me grita

vem, vem até mim

que é a flor mais bela, na tela cor do meu jardim

 

08/02/2026, 10:47

Antonio Gutierrez Pereira (Espanha)

o silêncio de uma flor

à água, este corpo lhe pertence

e se ergue, aos poucos e sem lamentos

em muitos outros momentos

em tantos, e outros silêncios que não vence

 

e depois, o meu corpo será gotinha, ou até socalco dourado

à procura de um pedaço de terra para a poeira do meu corpo, descansar

que a lua também irá morrer, tal como eu deixei de sonhar

e de corpo o ter, o corpo cansado

 

tão cansado de escrever, à água este corpo de pertencer

que não sabe onde habita o caderno desassossegado

que ao meu corpo também pertenceu, e que também foi drogado

e degolado por uma estrela do céu, e depois morrer

 

enquanto a noite é um triciclo de luz e cor

numa tela quase abraço, quase o desejar

e o ter, e o ser, e o amar

o silêncio de uma flor

 

08/02/2026, 05:11

07 fevereiro 2026

dormíamos

dormíamos, mas o mar é uma cama adocicada

uma cama, que tantas vezes se deita cansada

em tantas vezes, em lágrimas e apaixonada

como a vida o é, antes do acordar da alvorada

 

que dormíamos, mas o mar também é um aceiro

ou um triste dia, no triste aguaceiro

o vento é uma canção, e na canção invento

a fotografia de um socalco, que depois de voar o tempo

 

é apenas sais de prata

porque dormíamos, sentindo a geada de um desejo

e a mágoa de um telhado em lata

 

que desenha o alegre escrever

no amar os teus lábios e o teu beijo

porque dormíamos, e estava a chover.

 

07/02/2026, 19:52