08 fevereiro 2026

o silêncio de uma flor

à água, este corpo lhe pertence

e se ergue, aos poucos e sem lamentos

em muitos outros momentos

em tantos, e outros silêncios que não vence

 

e depois, o meu corpo será gotinha, ou até socalco dourado

à procura de um pedaço de terra para a poeira do meu corpo, descansar

que a lua também irá morrer, tal como eu deixei de sonhar

e de corpo o ter, o corpo cansado

 

tão cansado de escrever, à água este corpo de pertencer

que não sabe onde habita o caderno desassossegado

que ao meu corpo também pertenceu, e que também foi drogado

e degolado por uma estrela do céu, e depois morrer

 

enquanto a noite é um triciclo de luz e cor

numa tela quase abraço, quase o desejar

e o ter, e o ser, e o amar

o silêncio de uma flor

 

08/02/2026, 05:11

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