07 fevereiro 2026

dormíamos

dormíamos, mas o mar é uma cama adocicada

uma cama, que tantas vezes se deita cansada

em tantas vezes, em lágrimas e apaixonada

como a vida o é, antes do acordar da alvorada

 

que dormíamos, mas o mar também é um aceiro

ou um triste dia, no triste aguaceiro

o vento é uma canção, e na canção invento

a fotografia de um socalco, que depois de voar o tempo

 

é apenas sais de prata

porque dormíamos, sentindo a geada de um desejo

e a mágoa de um telhado em lata

 

que desenha o alegre escrever

no amar os teus lábios e o teu beijo

porque dormíamos, e estava a chover.

 

07/02/2026, 19:52

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