27 setembro 2026

A casa

Se despia em transe

a casa malhada de sangue

e húmidos gemidos,

noite adentro,

as canalizações do medo,

rangiam, e às janelas,

ou vidros faltavam,

ou, lá fora

o frio era tanto,

que dentro,

que dentro da casa,

nem a morte se aproximava.

 

Às vezes,

a casa,

escondia-se na sombra

virgem do capim quase alvorada,

as nuvens eram oiro milagre,

na cânfora noite,

os rios vertiam do peito a

seiva da sombra e que o dia,

desejava, que um dia,

essa mesma casa,

a cubata dos milagres,

que hoje, é,

a casa que em transe

se despe, e

dorme,

fosse a casa do poeta.

 

27/09
20:48

Amanhecer

Cada cor que lanço

na tela do teu corpo enquanto te sonho,

e que depois te vou despindo,

à rotação magma de um relógio, sentido

cada cor lançada a escorrer

dos meus dedos,

quando acaricio a tua pele, e descubro

que nos teus seios,

há um mar,

e uma vertigem de silêncio.

 

Cada cor é um sonho e

é um rio descendo a calçada,

a tua pele é o meu infortúnio de pertencer,

e de ser o louco poeta,

a enxada apátrida que o meu destino

me enviou desde a manhã

do abismo,

que cada cor, lançada

na tua pele e nos teus seios,

é a luz de um novo

amanhecer.

 

27/09
19:47

IMAGINE - JOHN LENNON

ReLeituras

Das poucas razões de estar vivo;

esconder-me nas tuas palavras, e

Acreditar.

 

27/09
14:49

O poeta, está morto

No ventre da terra, cada rua

é o silêncio

da espada, que sobre o peito

povoou o mundo,

semeou em todas as sombras,

o abismo, e o sentido, o correr

num rio de sangue,

cremada que foi a labareda

de um olhar,

que hoje,

é,

é a escuridão, de um olhar

e mais,

nada.

 

O poeta, está morto.

 

E da mão das ruas,

e no princípio de Arquimedes,

o barco sangra dentro das minhas veias,

a saliva,

e a seiva,

que do capim térreo se ergueu,

e vendeu a luz,

e debaixo nas profundezas da terra,

o saber que do outro lado,

a morte é,

é uma complicação de ramos

e ramais e de folhas, invisíveis,

e canais secretos,

e tristes,

como o poeta adormecido;

e morto.

 

O poeta, está morto.

 

27)09
14:39

WONDERFUL TONIGHT - ERIC CLAPTON

O medo

Não tenhas medo de pegar na minha mão,

em segredo

teres o medo, e não teres a minha, mão.

Não tenhas medo de ouvir a minha mão,

na escuridão,

não tenhas medo, de sentir

o meu medo e o meu segredo,

e a tristeza, do meu coração.

 

Não. Não tenhas, medo.

 

27/09
11:47