Se despia em transe
a casa malhada de sangue
e húmidos gemidos,
noite adentro,
as canalizações do medo,
rangiam, e às janelas,
ou vidros faltavam,
ou, lá fora
o frio era tanto,
que dentro,
que dentro da casa,
nem a morte se
aproximava.
Às vezes,
a casa,
escondia-se na sombra
virgem do capim quase
alvorada,
as nuvens eram oiro
milagre,
na cânfora noite,
os rios vertiam do peito
a
seiva da sombra e que o
dia,
desejava, que um dia,
essa mesma casa,
a cubata dos milagres,
que hoje, é,
a casa que em transe
se despe, e
dorme,
fosse a casa do poeta.
27/09
20:48
