27 setembro 2026

O poeta, está morto

No ventre da terra, cada rua

é o silêncio

da espada, que sobre o peito

povoou o mundo,

semeou em todas as sombras,

o abismo, e o sentido, o correr

num rio de sangue,

cremada que foi a labareda

de um olhar,

que hoje,

é,

é a escuridão, de um olhar

e mais,

nada.

 

O poeta, está morto.

 

E da mão das ruas,

e no princípio de Arquimedes,

o barco sangra dentro das minhas veias,

a saliva,

e a seiva,

que do capim térreo se ergueu,

e vendeu a luz,

e debaixo nas profundezas da terra,

o saber que do outro lado,

a morte é,

é uma complicação de ramos

e ramais e de folhas, invisíveis,

e canais secretos,

e tristes,

como o poeta adormecido;

e morto.

 

O poeta, está morto.

 

27)09
14:39