Ao som do adeus, ao som
do destro silêncio
Entre os parêntesis da
sombra-luz
Na última carruagem da
vida
À janela coloco as mãos,
o cortinado tapa o meu rosto
As casinhas que não as
vejo, mas sinto-as
Estão cada vez mais longínquas
e famintas
O comboio começa a
caminhar, sinto-o
Oiço o ruído dos carris
E também sinto o cheiro
do mar
Ao som do adeus, ao som
do destro silêncio
Do meu alegre vaguear
O meu olhar
Me recorda a melodia do
dia antes de acordar
E o adeus, é deus, é o
azedume de uma esquina de luz
Escura, negra
A pedra lançada do outro
lado da rua
Ao som do adeus, a minha
vida por um fio, o limbo
Quando o capim é gente
Gente alegre gente
contente
Ao som do adeus, a
despedida do meu corpo ausente.
28/06
21:50