28 junho 2026

Ao som do adeus, ao som do destro silêncio

Ao som do adeus, ao som do destro silêncio

Entre os parêntesis da sombra-luz

Na última carruagem da vida

À janela coloco as mãos, o cortinado tapa o meu rosto

 

As casinhas que não as vejo, mas sinto-as

Estão cada vez mais longínquas e famintas

O comboio começa a caminhar, sinto-o

Oiço o ruído dos carris

 

E também sinto o cheiro do mar

Ao som do adeus, ao som do destro silêncio

Do meu alegre vaguear

O meu olhar

 

Me recorda a melodia do dia antes de acordar

E o adeus, é deus, é o azedume de uma esquina de luz

Escura, negra

A pedra lançada do outro lado da rua

 

Ao som do adeus, a minha vida por um fio, o limbo

Quando o capim é gente

Gente alegre gente contente

Ao som do adeus, a despedida do meu corpo ausente.

 

28/06
21:50

É quase impossível que não o sejas.

Mas…

a serpente

a serpente aprendeu a contar

aprendeu a escrever

a serpente aprendeu a desenhar

sem medo de voar

sem medo de o ser

 

ser a serpente

de uma história de contar

andar feliz e contente

fazer de conta que é gente

e à noite se vestir de mar

 

mas a serpente também aprendeu a sonhar

e a fazer coloridos papagaios de papel

que voam em direcção ao luar

a serpente é o mel

e o fel

da luz ao acordar.

 

28/06
16:13

Nos lábios da chuva

Nos lábios da chuva o foguear 

Da alvorada paixão 

Em te olhar 

E te tocar com a minha mão 


E com os meus lábios te beijar 

Saboreando o doce mel do amanhecer 

Olhando o mar 

Do mar em meu viver 


28/06

13:57

Dá-me a tua mão

Dá-me a tua mão, e escreverei nos teus lábios

 

Amo-te.

Abraço

Se um dia o abraço chegar

Nada irei fazer

Vou deixá-lo entrar

Vou deixá-lo me abraçar

Vou deixá-lo ser

 

28/06
12:23

Quadrado

Cada quadrado é o abismo

É o círculo embriagado

Na sombra e no limo

Quando a voz é a saudade

 

Quando da terra brotam as árvores

Que voam como os pássaros

Que sorriem como as crianças

E que brincam como as crianças

 

Cada quadrado é o mar salgado

Que é a corda do enforcado

Que é a palavra do poeta e do cansado

Quadrado de ser sombra

 

Na sombra de um quadrado

Cada quadrado é o abismo

Do verso em dor

No verso de um círculo quase quadrado e quase flor.

 

28/06
03:58