24 junho 2026

Equação

Equação que não tem solução

Não adianta tentar resolver,

 

Diria:

 

Euclides;

Sófocles;

Sócrates;

Pireneu;

Pitágoras;

Einstein:

 

Ou: ou até eu,

 

Luís Fontinha,

 

Vai o vento a passar

Leva na mão outro vento

E outro mar

Sem tempo

 

Este tempo de amar

Vai o vento em seu esplendor

Vai o vento a passar

À procura de uma flor

 

Vai o vento a passar

Leva o vento a dor

Na dor de sonhar

 

Na dor de ser tempo sem tempo

No tempo de amar do tempo sem cor

Vai o tempo a passar a passar o vento.

 

24/06
12:26

É o último, é o silêncio

É o último, é o silêncio

E o fim, e o ontem

E a chuva

E a terra

 

E a mulher vestida de néon

O palhaço que sou

O circo

A roulotte

 

O cansaço, o último

Sem o desejo

Sem o mar

Sem

 

É o fim

E o recomeço

E a vontade

Sem apreço

 

É o destino

É a literatura

É a poesia

No fim

 

24/06
11:20

As dunas

As dunas estão serenas

Plumas

Na espuma do olhar

 

Secretas e madrastas

Palavras já tão gastas

Palavras

Fechaduras

Janelas e outros afins e olhares

 

Sins ou nãos

Tudo são palavras já gastas

Depois a lua e depois o capim

Que arde

E que sente a voz nua

E ouve o vento

 

As dunas estão serenas

Plumas

Na espuma do olhar

 

O amar.

 

24/06
05:26

Pouco, o nada

Pouco, o nada

O tudo capaz de rasgar a montanha

Que cada equação resolvida

É uma rua

É uma estrada

Sem saída,

 

O tudo ou o nada

A tristeza

A madrugada

O silêncio

E a alvorada

Sem nada,

 

O cigarro quase cadáver

A minha vida quase um cigarro

Suspenso no cinzeiro

Suspenso na luz

E no frio

De uma mão,

 

Mas tudo passa

Mas tudo vai morrer

O tudo

E o nada

A luz

E o meu escrever,

 

Tudo vai morrer

Acreditando

Acreditando que lá fora há rios sem nome

Que da janela do quarto já não se observa o mar

Tudo, nada

Este meu amar.

 

24/06
05:18

a voz do lume

se ao menos existisse a voz do lume

que sempre que acordasse

pudesse escrever na geada

o nome desta espada

 

que se crava

no meu peito sem saber

ao menos o nome

sem saber o dia

 

se ao menos existisse dentro de mim o grito

ou até o abismo reflectido na sombra

depois a chuva

depois as flores

 

depois a voz

e

o

nome do lume

 

ardume da fome

se ao menos existisse na voz do lume

um sorriso

ou um nome.

 

24/06
05:07

23 junho 2026

Enfim, o fim

Enfim, o fim

O sim e o não

O sem-fim indomável

Do automóvel pungente

No fundo da rua está gente

Que sente

E que mente

 

Enfim, o fim

O sim

O não

O pão

Sem tostão

O jardim, assim

Sem povo e sem azedume

O lume

 

Enfim, o fim

Sempre finalmente, o fim

Sempre

Fim

Sim, o fim.

 

23/06
22:03

Teus olhos não mais me olharão

Teus olhos não mais me olharão

Seja dia ou anoitecer

Na ânsia da mão

Na despedia do amanhecer

 

Teus olhos não mais os quero ver

Porque os teus olhos são o veneno

Das palavras de te escrever

E do meu engano

 

De os teus olhos eu os querer

Teus olhos não mais me olharão

E tão pouco eu os quero ter

 

Teus olhos não serão mais o meu acordar

Na despedida da mão

A mão que não mais te quer tocar.

 

23/06
19:47