08 maio 2026

Da noite em nós

O que dizem os teus cabelos em verso vento

O que dizem os teus seios que o sono esconde

O que dizem os teus olhos verdes

O que dizem as tuas palavras que são pedras lançadas para disfarçar o fogo,

O que dizem os teus lábios de mel

E o pincelar do beijo

Na boca da chuva

Na fogueira do desejo,

O que diz o teu sorriso semeado na alvorada

Que se esconde na tua voz

Que é madrugada

Da noite em nós.


Francisco

07/05

O fogo do teu olhar

Abro a janela para disfarçar o fogo do teu olhar

Na sombra do meu sonhar

Que pertence às telas e aos olhos do teu sorriso

E sinto a tarde no toque de uma fotografia,

A noite vem

Traz com ela o abismo da morte

Lançada contra os meus livros

Sitiados na esquina do amar,

E outro mar sentindo o meu verso

Na espuma interestelar de uma mágoa

Que serei talvez louco

Porque o tolo é quase gelo quando dorme

Na cama da ausência milenar,

E da janela para disfarçar o teu corpo

Uma andorinha de luz

No fogo do teu olhar.


Francisco

07/05

o perigo abraça a morte

depois um insecto dispara uma lágrima

indecente

voa sobre as árvores em busca do silêncio

há uma palavra na ponta dos ossos

e nos dedos

um círculo de luz com olhos verdes.

 

Francisco

08/05

 


32

 

Anos

 

Sem

 

Heroína.

06 maio 2026

O que restou do mar


O que restou do mar
Que amar amou
Porque o sobrar
Não pertencia ao que sobrou

E gente toda sem o saber
Porque sobrar ou não sobrar
Eis a questão do ser
Do que sobrou do mar

Que sobrou sem sobrar
O que restou do mar ardente
Das mãos daquele lugar

Que sobrou sem sobrar
Na boca que sente
O que sobrou do mar.

Francisco
06/05

Há quanto tempo em mim um sorriso no meu tempo...

Há tempo, há quanto tempo

Há tempo, há quanto tempo

Eu não oiço, amo-te

Há tanto tempo, há quanto tempo

Eu não oiço, gosto de ti

 

Há tanto tempo, no tempo

Que os rios deixaram de correr para o mar

Há tanto tempo, há quanto tempo

O tempo não é mais o meu amar

 

No tempo

Há quanto tempo, há tempo

Que eu não oiço, preciso de ti

E és o tempo do meu sonhar

 

Há quanto tempo, no tempo

Há tanto tempo que eu não tenho um abraço

Despido no tempo, há quanto tempo

Que eu não oiço, amo-te.

 

Francisco

06/05