23 maio 2026

Está tudo iluminado

Está tudo iluminado, se te fosses foder, amigo Ricardo...

 

É sábado, a chuva não cessa

É sábado e o silêncio desperta, o incerto

A memória

A desordem

 

É sábado, a chuva não cessa

O destino tem pressa

E sabe que luz

Que está tudo, tudo iluminado

 

Francisco

23/05
09:01

Ao longe te sinto

Ao longe te sinto

Ao longe te sinto em perfume lume do olhar

Ao longe te sinto

Ao longe te sinto em perfume lume do beijar

Ao longe te sinto

Ao longe te sinto em perfume lume em te amar

 

Ao longe te sinto

Ao longe te sinto em perfume lume do chorar

Ao longe te sinto

Ao longe te sinto em perfume lume o nome da tua lágrima de chorar

Ao longe te sinto

Ao longe te sinto em perfume lume em te sonhar

 

Ao longe te sinto

Ao longe te sinto em perfume lume

 

Em te desejar.

 

Francisco

23/05
01:53

22 maio 2026

Era o tempo em sem tempo o for

Era o tempo em sem tempo o for

Se o fosse ao menos uma vez na vida, que o seja

Na loucura de uma flor, que beija a pedra, e que seduz

A luz, e que se diz vizinha do mar

E menina da liberdade

 

Era o tempo mais vento que nunca tinha tempo

Mas vivia-se, e também perdíamos tempo, com tempo para outras coisas

Que só será noite se a luz o quiser, mas a luz é vaidosa, é rápida a correr

E nunca morre, a não ser

Depois do jantar

 

As árvores são o alimento da sombra, as árvores são os braços da luz

E são também o muro que separa a alegria da tristeza

O dia da beleza

E morte da estupidez alheia

Porque um poeta nunca morre

 

Que o diga o outro que ainda hoje anda a fazer broches por Lisboa, que o diga o outro que dormiu nas casas de banho em Bruxelas

Que o diga o outro, eu

Que sou um comboio em direcção ao abismo, e estou a sorrir

A sorrir que eu estou, sem medo de

 

Era o tempo sem tempo mais parvo do tempo

E no entanto, sobrava-lhe sempre tempo, sempre aquele relógio

Sempre

Aquela máquina sincronizada, e oleada, e tão esbelta que ele era

Mas o tempo, não sabe matemática.

 

22/05
francisco

23:07

E também um miserável falhado, um sonhador, meu amor…

Estas são as cinzas da vida, estes são os silêncios milenares de uma ausência sofrida

E eu, meu amor, que fui rei de tantos e temidos mares

E eu, meu amor, que fui pétala dentro de um livro

E eu, meu amor, estas são as cinzas do oriente, do infinito martírio do destino

Em ter, em ser, em ter nascido menino.

 

Estas são as cinzas da vida, estes são os orifícios abstractos de uma mão

Que já morta, que já não sente a pela da noite

Que quase não dorme

Dorme acreditando que as cinzas vão voar

Que estas são as cinzas de um olhar.

 

Estas são as cinzas da vida, da minha vida

Desde que o espermatozóide do meu pai tocou no óvulo de minha mãe

E eu, desde então, e eu comecei a ter vida

E também inferno, e também solidão, e também tristeza

E também um miserável falhado, um sonhador, meu amor…, que sou.

 

Francisco

22/05
22:41

Serei

Serei
Sei
Beijei
Dancei
Me cansei
De ser
Viver
Ter
E sofrer
Serei
Sei
Abracei
E também defequei
O faquir
Sei
Dizei
Que eu o serei

Francisco
22/05
02:13