Era o tempo em sem tempo
o for
Se o fosse ao menos uma
vez na vida, que o seja
Na loucura de uma flor,
que beija a pedra, e que seduz
A luz, e que se diz
vizinha do mar
E menina da liberdade
Era o tempo mais vento
que nunca tinha tempo
Mas vivia-se, e também
perdíamos tempo, com tempo para outras coisas
Que só será noite se a
luz o quiser, mas a luz é vaidosa, é rápida a correr
E nunca morre, a não ser
Depois do jantar
As árvores são o alimento
da sombra, as árvores são os braços da luz
E são também o muro que
separa a alegria da tristeza
O dia da beleza
E morte da estupidez
alheia
Porque um poeta nunca
morre
Que o diga o outro que
ainda hoje anda a fazer broches por Lisboa, que o diga o outro que dormiu nas casas
de banho em Bruxelas
Que o diga o outro, eu
Que sou um comboio em
direcção ao abismo, e estou a sorrir
A sorrir que eu estou,
sem medo de
Era o tempo sem tempo
mais parvo do tempo
E no entanto, sobrava-lhe
sempre tempo, sempre aquele relógio
Sempre
Aquela máquina
sincronizada, e oleada, e tão esbelta que ele era
Mas o tempo, não sabe
matemática.
22/05
francisco
23:07