22 maio 2026

Era o tempo em sem tempo o for

Era o tempo em sem tempo o for

Se o fosse ao menos uma vez na vida, que o seja

Na loucura de uma flor, que beija a pedra, e que seduz

A luz, e que se diz vizinha do mar

E menina da liberdade

 

Era o tempo mais vento que nunca tinha tempo

Mas vivia-se, e também perdíamos tempo, com tempo para outras coisas

Que só será noite se a luz o quiser, mas a luz é vaidosa, é rápida a correr

E nunca morre, a não ser

Depois do jantar

 

As árvores são o alimento da sombra, as árvores são os braços da luz

E são também o muro que separa a alegria da tristeza

O dia da beleza

E morte da estupidez alheia

Porque um poeta nunca morre

 

Que o diga o outro que ainda hoje anda a fazer broches por Lisboa, que o diga o outro que dormiu nas casas de banho em Bruxelas

Que o diga o outro, eu

Que sou um comboio em direcção ao abismo, e estou a sorrir

A sorrir que eu estou, sem medo de

 

Era o tempo sem tempo mais parvo do tempo

E no entanto, sobrava-lhe sempre tempo, sempre aquele relógio

Sempre

Aquela máquina sincronizada, e oleada, e tão esbelta que ele era

Mas o tempo, não sabe matemática.

 

22/05
francisco

23:07