Estas são as cinzas da
vida, estes são os silêncios milenares de uma ausência sofrida
E eu, meu amor, que fui
rei de tantos e temidos mares
E eu, meu amor, que fui
pétala dentro de um livro
E eu, meu amor, estas são
as cinzas do oriente, do infinito martírio do destino
Em ter, em ser, em ter
nascido menino.
Estas são as cinzas da
vida, estes são os orifícios abstractos de uma mão
Que já morta, que já não
sente a pela da noite
Que quase não dorme
Dorme acreditando que as
cinzas vão voar
Que estas são as cinzas
de um olhar.
Estas são as cinzas da
vida, da minha vida
Desde que o espermatozóide
do meu pai tocou no óvulo de minha mãe
E eu, desde então, e eu
comecei a ter vida
E também inferno, e
também solidão, e também tristeza
E também um miserável
falhado, um sonhador, meu amor…, que sou.
Francisco
22/05
22:41
