22 maio 2026

E também um miserável falhado, um sonhador, meu amor…

Estas são as cinzas da vida, estes são os silêncios milenares de uma ausência sofrida

E eu, meu amor, que fui rei de tantos e temidos mares

E eu, meu amor, que fui pétala dentro de um livro

E eu, meu amor, estas são as cinzas do oriente, do infinito martírio do destino

Em ter, em ser, em ter nascido menino.

 

Estas são as cinzas da vida, estes são os orifícios abstractos de uma mão

Que já morta, que já não sente a pela da noite

Que quase não dorme

Dorme acreditando que as cinzas vão voar

Que estas são as cinzas de um olhar.

 

Estas são as cinzas da vida, da minha vida

Desde que o espermatozóide do meu pai tocou no óvulo de minha mãe

E eu, desde então, e eu comecei a ter vida

E também inferno, e também solidão, e também tristeza

E também um miserável falhado, um sonhador, meu amor…, que sou.

 

Francisco

22/05
22:41