04 agosto 2026
A semente
O peixe lavra a terra
nunca sabendo onde habita a charrua que transporta nos lábios a semente de uma
laranja, na rotação e da explosão que sente o percevejo ao acordar
a mulher do sonhar deixou
de pertencer, não o é mais
e nunca será
o nascer
na lâmina da voz se no
consagrar do vermelho pincel invisível que é a futilidade de um voraz
sofrimento, olhar o cubo em rotação
E o peixe é agora a luz
transversal que avassala e que diz
ser
o rumor de um pedaço de
rocha, o aço é quase o vinagre sobre a sinfonia tristeza, na saúde, na morte
e na magreza de uma
abelha poisada na solidão de uma cadeira, tão distante da alvorada
e tão burra, e tão
estúpida
como o é
uma cadeira, sentada
E do peixe lavrador, e da
malvadez de um olhar, o peixe nunca saberá o destino sino na igreja que o
quebra-cabeças do amor
é a árvore sediada e
sitiada
na lágrima e na dor
de alguém que mente, nas
asas de uma alforreca assalariada
porque a noite é apenas o
verniz uniforme na ausência e na fome
quando o polvo se abraça
ao espelho, e à janela do ontem
as sílabas envergonhadas
na palavra errada, que nunca deveria ter pertencido ao meu sonhar.
04/08
04:15
03 agosto 2026
O vazio
No vazio a chuva e na
floresta em festa sempre que se abre a clarabóia da razão, o gato no seu miar e
infeliz tristeza
o sítio está lá e cá, à
porta do cemitério as almas são aprisionadas
pela mão da enxada,
quando o caixão se ergue, e de lá
uma corda sente o odor da
morte
O corpo já não pertence
ao corpo, que outrora foi só
o milhafre negro e na
pelugem a migalha nuvem de assombrar
às vezes o primeiro e
abstracto luar, traz
os finíssimos grãos de
areia à espada
O semear e da charrua o
ventre desventrado de uma aldeia em cio
na pedra lapidada, nos
confins do silêncio
e na minha mão o louro e
artefacto do corpo sem nome, amanhã
quando o remetente da
carta assombrada trouxer à minha morada
O verniz de um sonho
impossível e sem sentido, caminhar sobre o mar
eu vestido de barco, eu o
sonâmbulo nocturno da inferioridade humana, quase lágrima em chama
quase ninguém, eu o
zé-ninguém cá do sítio, e o que diria homero, de mim, de mim
03/08
22:25
