O peixe lavra a terra
nunca sabendo onde habita a charrua que transporta nos lábios a semente de uma
laranja, na rotação e da explosão que sente o percevejo ao acordar
a mulher do sonhar deixou
de pertencer, não o é mais
e nunca será
o nascer
na lâmina da voz se no
consagrar do vermelho pincel invisível que é a futilidade de um voraz
sofrimento, olhar o cubo em rotação
E o peixe é agora a luz
transversal que avassala e que diz
ser
o rumor de um pedaço de
rocha, o aço é quase o vinagre sobre a sinfonia tristeza, na saúde, na morte
e na magreza de uma
abelha poisada na solidão de uma cadeira, tão distante da alvorada
e tão burra, e tão
estúpida
como o é
uma cadeira, sentada
E do peixe lavrador, e da
malvadez de um olhar, o peixe nunca saberá o destino sino na igreja que o
quebra-cabeças do amor
é a árvore sediada e
sitiada
na lágrima e na dor
de alguém que mente, nas
asas de uma alforreca assalariada
porque a noite é apenas o
verniz uniforme na ausência e na fome
quando o polvo se abraça
ao espelho, e à janela do ontem
as sílabas envergonhadas
na palavra errada, que nunca deveria ter pertencido ao meu sonhar.
04/08
04:15