03 agosto 2026

O vazio

No vazio a chuva e na floresta em festa sempre que se abre a clarabóia da razão, o gato no seu miar e infeliz tristeza

o sítio está lá e cá, à porta do cemitério as almas são aprisionadas

pela mão da enxada, quando o caixão se ergue, e de lá

uma corda sente o odor da morte

 

O corpo já não pertence ao corpo, que outrora foi só

o milhafre negro e na pelugem a migalha nuvem de assombrar

às vezes o primeiro e abstracto luar, traz

os finíssimos grãos de areia à espada

 

O semear e da charrua o ventre desventrado de uma aldeia em cio

na pedra lapidada, nos confins do silêncio

e na minha mão o louro e artefacto do corpo sem nome, amanhã

quando o remetente da carta assombrada trouxer à minha morada

 

O verniz de um sonho impossível e sem sentido, caminhar sobre o mar

eu vestido de barco, eu o sonâmbulo nocturno da inferioridade humana, quase lágrima em chama

quase ninguém, eu o zé-ninguém cá do sítio, e o que diria homero, de mim, de mim

 

03/08
22:25