No vazio a chuva e na
floresta em festa sempre que se abre a clarabóia da razão, o gato no seu miar e
infeliz tristeza
o sítio está lá e cá, à
porta do cemitério as almas são aprisionadas
pela mão da enxada,
quando o caixão se ergue, e de lá
uma corda sente o odor da
morte
O corpo já não pertence
ao corpo, que outrora foi só
o milhafre negro e na
pelugem a migalha nuvem de assombrar
às vezes o primeiro e
abstracto luar, traz
os finíssimos grãos de
areia à espada
O semear e da charrua o
ventre desventrado de uma aldeia em cio
na pedra lapidada, nos
confins do silêncio
e na minha mão o louro e
artefacto do corpo sem nome, amanhã
quando o remetente da
carta assombrada trouxer à minha morada
O verniz de um sonho
impossível e sem sentido, caminhar sobre o mar
eu vestido de barco, eu o
sonâmbulo nocturno da inferioridade humana, quase lágrima em chama
quase ninguém, eu o
zé-ninguém cá do sítio, e o que diria homero, de mim, de mim
03/08
22:25