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19 outubro 2025

A noite

 

Alguém assassinou a noite e a vestiu de só

Alguém deu a mão à solidão porque a chuva traz o brilho oiro

De uma sandália sem condomínio destino

E sempre que alguém escreve a luz nas janelas de um olhar

Despindo-se

Deitando-se sobre a mesa

 

O mármore glótico morre

A morte deverá ser o mais lindo poema que a vida tem

Porque alguém quer a lua acorrentada aos sítios isolados da mesura estrela de dormir

Se no poço mais fundo do silêncio

Habita a voz amordaçada

 

E depois de morrer

A noite é feliz

Tão feliz que dizia às paredes pinceladas de orgasmo

Que um dia

Voaria

Nas mãos de um outro dia

Sem o menino poesia

(desenho de Francisco Luís Fontinha)


07 março 2024

ORÁCULOS

 


Cruza os braços a noite

mastiga qualquer coisa estranha a luz da morte

que habita no peito daquele barco

sucata óssea que se masturba na estrela polar

quando um dos olhos da lua

mergulha no poço da insónia madrugada.

 

Das pedras da calçada que semearam durante a tarde

uma delas

a Sissi

arregaça a saia até à coxa

acreditando nos oráculos da mão da ponte.

 

Há luzes travestidas de Inverno

quando o inferno é um cão pisteiro

e uma criança brinca na aurora mastigada pela boca de um incêndio…

uma enxada opina sobre o sorriso do mar;

hoje há caracóis. Sós.

 

 

(orgasmo literário)