19 outubro 2025

A noite

 

Alguém assassinou a noite e a vestiu de só

Alguém deu a mão à solidão porque a chuva traz o brilho oiro

De uma sandália sem condomínio destino

E sempre que alguém escreve a luz nas janelas de um olhar

Despindo-se

Deitando-se sobre a mesa

 

O mármore glótico morre

A morte deverá ser o mais lindo poema que a vida tem

Porque alguém quer a lua acorrentada aos sítios isolados da mesura estrela de dormir

Se no poço mais fundo do silêncio

Habita a voz amordaçada

 

E depois de morrer

A noite é feliz

Tão feliz que dizia às paredes pinceladas de orgasmo

Que um dia

Voaria

Nas mãos de um outro dia

Sem o menino poesia

(desenho de Francisco Luís Fontinha)


Sem comentários:

Enviar um comentário