26 julho 2026

O marfim

O marfim, enfim, o fim

o sapato sentado na algibeira da náusea

que desdém

e que interfere na pirâmide

e da cultura do milho, abria a janela,

e sentia

ao longe o toque do sino

e a minha mão que ardia,

e a minha mão quase gelo, quase

sangria, quase alegria, quase

o poço das feras amestradas,

quase a chávena despida, nua

nas páginas de um livro.

 

O trígono e místico cansaço,

o avanço e a lebre a atravessar a estrada,

mal fechada, a porta de entrada, já velha e triste,

está a enxada, e a água amansada,

que maçada

amanhã,

o ouvido em flor, em mel e no pólen de uma

pulga. não sabemos, saber o

que na raiz de uma alvorada

o polvo descalço vai em seu caminhar,

a vírgula, o orifício mais pequenino da seara,

o olho,

o lírio em seu voar,

em seu morrer

no seu amar.

 

Mas o marfim, enfim, o fim

o sapato sentado na

algibeira da náusea

que desdém e mantêm

a charrua afiada,

a espada

asseada,

e limpa, porque qualquer pescoço,

merece

higiene a asseio, o trio obscuro da vergonha,

quando a chuva é o milhafre constante

da última incógnita da primavera.

 

E minhas letras são pedras,

e são coágulos de areia

na semente da vida.

 

26/07
22:31