Uma abelha de luz poisa
no teu olhar. Haverá sempre noite; mesmo que a lua se suicide no teu olhar,
haverá sempre luar na tua vida,
O cansaço,
Nos dias que se perdem,
nas horas em que nasce e, morre uma estrela, mesmo assim, haverá sempre
Primavera na esplanada da saudade.
O esqueleto rangia como
os gonzos do silêncio e, nunca percebeu que lá fora, junto ao rio, um fio de
nylon tentava regressar à velha fotografia; tinha na mão a imagem de Cristo
crucificado.
Em cio, avança o exército
de gaivotas em direcção ao mar; os barcos da minha infância são hoje objectos
raros, distantes de uma cidade envergonhada pelo passado.
Pedacinhos de linha,
anzóis despedidos pelo velho pescador e, junto ao cais
Uma criança inventa
electrões, protões e a tomografia por emissão de positrões e, eu desconhecia
que o PET lhe vasculhava tudo até aos ossos; amores e paixões, flores e
jardins, sumo de laranja e bacalhau com natas. No final
A sentença. CONDENADO.
Ela
CONDENADA.
Hoje, há quem me diga que
são muito felizes, os dois e, vão amar-se eternamente.
O dia e anoite,
A lua e o luar,
Ambos, ambas, condenados
Condenadas pela insónia
de DEUS.
Hoje são pequenos grãos
de areia na mão da tempestade. Vivem num cubo de vidro, alimentam-se de
pequenos nadas e, lêem as escrituras divinas. Nada a fazer, digo eu
Tudo a fazer, dizia ela
CONDENADA pelo oxigénio
abstracto da manhã.