01 junho 2026

Vamos falar de ódio que te odeio,

Vamos falar de ódio que te odeio, imagina um cubo invisível, tão invisível que apenas consegues imaginar cada ponto que gravita cada vértice

Imagina que te odeio, imagina agora dentro do cubo um ponto, um ponto tão irrequieto, que é impossível determinar em cada instante a sua posição, que te odeio tanto

Que te dispo, que toco no teu sexo, imagina-o agora de mão dada com o ponto que há pouco imaginaste, o ponto irrequieto, imagina agora esse sexo, desculpa, imagina agora esse ponto que anda de mão dada com o teu sexo,

E no entanto, e no entanto nada existe, porque é impossível aprisionar o que quer que seja dentro de um cubo imaginário, porque foste tu que o imaginaste e apenas ele existe na tua cabeça

Imagina que tanto te odeio, que se sentisse na minha mão os teus seios, eu te odiava, tanto, que nos teus lábios construía uma cabana, uma selva sem destino, uma porta e o timbre nocturno

Imagina agora também junto ao ponto dentro do cubo que imaginaste e que o mesmo ponto também ele, também ele imaginado pelo teu sexo, desculpa

Imaginado por ti, não existe

Mas, e se o cubo existir mesmo? Já pensaste nisso?

E se o cubo existir e se o teu sexo e o ponto, esses sim, não existem

E se o teu sexo não existe, logo

Tu também não existes

E se dentro do cubo existir um mar de nome mar, que de tão belo e o belo de o ser, que é cada vez mais o tédio em te odiar

Desculpa, em viver nesse mar, mas que mar é este, se este mar está dentro do cubo, e há pouco decidimos que, que tudo o que estiver dentro do cubo, não existe, apenas existem quatro pontos cada um sem nome, dois deles, ainda menores de idade, mas o cubo só existe na tua cabeça, o cubo é a tua cabeça, mas dentro do cubo deixou de existir o ponto, o teu sexo e agora o mar, e se nada disto existir?

Decidimos que dentro do teu cubo imaginado por ti, a partir de agora, não existe, é o vácuo

E do vácuo escutamos a mecânica clássica, imagina agora o teu cubo em rotação à volta de um eixo imaginário, claro, como o cubo e como o eixo da terra, tudo, imagina que te odeio cada vez mais, tanto que toco na tua vagina, e

Desculpa, e a velocidade do teu cubo é de trinta metros por segundo, mas

E se o cubo, quase como uma fotografia à la minuta, desaparecer, deixar de existir

E, e agora? Onde está agora o teu cubo?

Deixaste-o de imaginar,

Imagina que o tempo não existe, sim, o que é o tempo afinal?

Um segundo parece um minuto, e enquanto te masturbo, uma tarde parece um segundo

Desculpa, quanto tens um ferro em brasa na mão, um segundo parece um minuto

Isto foi a explicação que Einstein deu à catraia lá do bairro sobre a relatividade,

Imagina um cubo sem janelas, imagina um cubo sem portas, imagina que tanto te odeio, que bebo dos teus seios a vergonha em ser artista, quando eu

Devia estar a imaginar um cubo, apenas quatro pontos, os pontos apenas estão unidos por um olhar, o cubo é tão pequeno, mas tão pequeno, que

Não existe, porque foi apenas um cubo imaginário

E já agora, quantos cubos imaginados por mim têm portas e têm janelas, no vácuo

Vamos falar de ódio que te odeio tanto, imagina um cubo...

 

01/06
21:50