03 junho 2026

Acordava sentada sobre o veneno da geada

Acordava sentada sobre o veneno da geada

Sabia que eram escassas as migalhas

E eram lamentos

Os alimentos

E as esquecidas limalhas

 

E os aquecidos meteoros nos milhafres em ausência

As oliveiras e o centeio

O milho

A lavra quase safada

Na safadinha lua em luar

 

Que nós sentimos o vento entre os parêntesis curvos

Na sombra curvatura quase fruta calibrada e madrasta

Que a equação está quase resolvida

E que a solução

É uma noite perfeita e perdida

 

Que sente e sente a despedida

Em cada dia em cada mobília já sonolenta

Entre o eu e o eu

Que não sabe distinguir o veio do trigo

E de trigo estão eles conversados

 

Acordava sentada sobre o veneno da geada

Sabia que eram escassas as migalhas

E trazia na saia

A sábia andorinha de luz

Que quando acordava sentia-se ventrada e amada

 

03/06
22:47