19 junho 2026

Às mãos golpeadas pela humilhação, das mãos sangrando palavras

Às mãos golpeadas pela humilhação, das mãos sangrando palavras

Palavras às vezes em vão, mas palavas são

São palavras amordaçadas

Às mãos golpeadas pela assombração, das mãos gemendo, gemendo palavras que são

Gostava de tantas palavras, e hoje até odeio a palavra

Mãe,

Às mãos uma espada, uma espingarda

Sem balas, com balas, carregada

E das mãos o sangue, da humilhação

O sangue que um dia será orgulho, o orgulho

De um pedaço de pão

Às mãos algumas palavras, vãs, chãs

As terras do meu prometido

Ficaram as unhas, ficaram as pedras

Às mãos a corda, o cordel

E o pincel

Nas mãos sangrando gente, que gente o é certamente

Como a chuva que bate, bate

Tão certa como a palavra, amo-te

Às mãos uma enxada para eu semear palavras, das mãos

Às mãos golpeadas, dêem-me, dêem-me mais palavras

 

19/06
01:42