Às mãos golpeadas pela
humilhação, das mãos sangrando palavras
Palavras às vezes em vão,
mas palavas são
São palavras amordaçadas
Às mãos golpeadas pela
assombração, das mãos gemendo, gemendo palavras que são
Gostava de tantas
palavras, e hoje até odeio a palavra
Mãe,
Às mãos uma espada, uma
espingarda
Sem balas, com balas,
carregada
E das mãos o sangue, da
humilhação
O sangue que um dia será
orgulho, o orgulho
De um pedaço de pão
Às mãos algumas palavras,
vãs, chãs
As terras do meu
prometido
Ficaram as unhas, ficaram
as pedras
Às mãos a corda, o cordel
E o pincel
Nas mãos sangrando gente,
que gente o é certamente
Como a chuva que bate,
bate
Tão certa como a palavra,
amo-te
Às mãos uma enxada para
eu semear palavras, das mãos
Às mãos golpeadas, dêem-me,
dêem-me mais palavras
19/06
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