14 maio 2026

Sentado estarei sobre a folha onde escrevo

Sentado estarei sobre a folha onde escrevo
Dormir sabendo que o livro é a melodia da morte
Dormir sabendo que a fogueira da morte é quase gelo
No silêncio gélido de uma amoreira
Sentado estarei sobre a folha onde escrevo
Sentado no silêncio dos olhos de uma fotografia
Que dança sob o cabelo comprido do mar
Que sorri capaz de ser libertado do meu sol
Sentado
Estarei sobre a folha onde escrevo
Que é sangue vento na cabeça de uma turbina
E eu pertencia à força dos electrónicos cromados
Sítios sentado estarei sobre a folha onde escrevo
Sentado
Sentado na fímbria luz do clitóris
Que acaba de descer à terra sagrada.

Francisco
14/05