Era o fogo que estava no silêncio
Porque o silêncio é o pincelar da manhã
Era a saudade de uma fotografia
Dentro do caderno negro,
E eu pertencia ao jardim do mar
E eu fui barco
E fui menino
Na alvorada do sul,
Fui feliz nos teus braços e não mais te sonharei
Porque a chuva trouxe a roupa que também era
Era o verso mais lindo
Do Tejo flor na sombra de um pedaço de alumínio,
Era o fogo
Depois era o frio
E eu tão feliz na mão de um relógio
Quase a parar no tempo,
Depois dormíamos
Eu vestido de lua
E tu
Que dançavas sob a chuva,
Depois sentia a rotação das coisas
Tinha vómitos intensos
Depois muito calor
Depois muito frio,
Era o fogo que estava no silêncio
Que eu ardia nos teus braços
Que eu não te fodia
Porque eu ardia nos teus braços,
Vinha a noite e eu chorava
E da na noite ficava
Adormecia e sonhava
Um dia ir a Fátima a pé.
Francisco
13/05