13 maio 2026

Era o fogo que estava no silêncio

Era o fogo que estava no silêncio

Porque o silêncio é o pincelar da manhã

Era a saudade de uma fotografia

Dentro do caderno negro,


E eu pertencia ao jardim do mar

E eu fui barco

E fui menino

Na alvorada do sul,


Fui feliz nos teus braços e não mais te sonharei

Porque a chuva trouxe a roupa que também era

Era o verso mais lindo

Do Tejo flor na sombra de um pedaço de alumínio,


Era o fogo

Depois era o frio

E eu tão feliz na mão de um relógio

Quase a parar no tempo,


Depois dormíamos

Eu vestido de lua

E tu

Que dançavas sob a chuva,


Depois sentia a rotação das coisas

Tinha vómitos intensos

Depois muito calor

Depois muito frio,


Era o fogo que estava no silêncio

Que eu ardia nos teus braços

Que eu não te fodia

Porque eu ardia nos teus braços,


Vinha a noite e eu chorava

E da na noite ficava

Adormecia e sonhava

Um dia ir a Fátima a pé.


Francisco

13/05