01 maio 2026

O sono

O sono lembra histórias de brincar,

E sabe, sabe tudo sobre o esconderijo onde habita o temido destino, e o prometido,

Destinado a ser um pêndulo, talvez o de Foucault ou outro pêndulo qualquer,

Há sempre um fio, sempre invisível ao tempo, entre dois pontos de luz, o negro, e o silêncio

E tem a espada na mão como se fosse uma serpente, ou o trigo,

Que depois é o pão.

 

Mas o sono tudo sabe sobre a noite,

Só o sono consegue inverter as imagens do dia

E as transformar em outras palavras, semeadas na algibeira da tarde, uns dirão que é poesia,

Outros que nada é,

E outros,

Que a loucura é a distância entre o pénis e a lua.

 

Eu? Eu nada,

Nunca entendi o sono, nem a falange da madrugada,

Nunca fui marinheiro, e de barco andei meio mundo,

Convencido que as almas são moedas de oiro

Dentro da barcaça, dentro da íris

Que sempre acorda, depois do sono.

 

Francisco

01/05